Nelson Jobim não resistiu à publicação de novas declarações com
críticas ao governo e deixou o Ministério da Defesa ontem. Em entrevista à
revista Piauí, Jobim classificou de "trapalhada" a política do
governo para a divulgação de dados sigilosos e chamou a ministra das Relações
Institucionais, Ideli Salvatti, de "fraquinha". Sobre a ministra da
Casa Civil, Gleisi Hoffmann, afirmou que ela "nem sequer conhece
Brasília".
As declarações irritaram a presidente Dilma Rousseff, que antecipou a volta do então ministro a Brasília, com a intenção de demiti-lo. Em reunião que durou menos de cinco minutos, Jobim entregou o cargo.
Ainda na Amazônia, Jobim disse que suas palavras foram publicadas fora de contexto e chegou a afirmar que "isso faz parte do jogo da intriga, da tentativa de desestabilizações". No início de julho, Jobim disse que era "obrigado a conviver com idiotas". Mais recentemente, declarou seu voto no candidato do PSDB, José Serra, na eleição do ano passado, vencida por Dilma.
Jobim é o terceiro ministro a cair nos oito primeiros meses do governo Dilma. O primeiro foi Antonio Palocci (ex-Casa Civil), após denúncias sobre o aumento de seu patrimônio. No mês passado, caiu o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Ambos haviam sido indicados pelo ex-presidente Lula. Ontem mesmo, o Palácio do Planalto confirmou o ex-ministro de Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim, para a Defesa.
Destak Jornal
