O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na quinta-feira, 15, a gestão
de sua sucessora, Dilma Rousseff, e chegou a sugerir que a presidente concorra
à reeleição em 2014. Como de costume, Lula também criticou a imprensa e afirmou que a oposição
trabalha pelo fracasso da atual gestão. As declarações foram feitas durante
evento da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Goiânia. Lula negou ter
divergências com Dilma. Ele preferiu imputar à imprensa uma suposta discórdia
entre eles: "Saí há seis meses do governo e eles (a imprensa) não saem do
meu pé", afirmou. "Primeiro, eles tentaram mostrar uma divergência
entre eu e a Dilma. Não precisa ser nenhum especialista para saber qual a diferença.
Depois perceberam que não havia divergência", disse, arrancando risos da
plateia. "Quando fui a Brasília para tirar fotos com os senadores,
disseram que ela (Dilma) era fraca", afirmou. "E o babaca que
escreveu isso, se já tivesse sentado com a Dilma por dez minutos, iria saber
que ela pode ter todos os defeitos do mundo, menos ser fraca." O
ex-presidente também criticou a imprensa por divulgar informações sobre o
patrocínio da Petrobrás, no valor de R$ 4 milhões, ao evento dos estudantes: "Aquele
jornal (O Globo), de caráter nacional, não sai do Rio de Janeiro", disse
Lula. "Vai na baixada Fluminense que você não acha ele", ironizou.
"E os grandes (jornais) de São Paulo quase não chegam no ABC." À
vontade, Lula evitou temas espinhosos, como a denúncia do procurador-geral da
República, Roberto Gurgel, apresentada ao Supremo na semana passada e segundo a
qual o mensalão, escândalo da gestão do ex-presidente, foi uma atentado à
democracia brasileira. Sobre a performance de Dilma, ele afirmou: "A presidente
vai fazer mais e melhor do que nós fizemos. Ela vai inaugurar até o final do
mandato, digo, deste primeiro mandato, obviamente, mais 200 escolas
técnicas". Durante o encontro dos estudantes, Lula disse estar sentindo a
ausência do ex-vice-presidente José Alencar, morto neste ano, e da presidenta
Dilma ao seu lado no evento: "Acho que foi um equívoco (ela não estar
presente)", disse ele. "A gente ia dizer: nunca antes na história do
Brasil uma presidenta, mulher, tinha participado de um encontro da UNE."
(Rubens Santos - O Estado de
S.Paulo).